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Crônica anacrônica: de um País

Imagem ilustrativa/Reprodução: Google

Neste relato sucinto, uma crônica, apresento aos leitores episódios não contados nos nossos livros didáticos, mais especificamente no contexto da Independência do Brasil. No entanto, são fatos que podem parecer contraditórios à narrativa tradicional, ao mesmo tempo em que são respaldados por renomados historiadores e pesquisadores.

A Independência, por ter sido conduzida, como na maioria dos acontecimentos históricos, pela elite dominante da época, não resultou em mudanças estruturais expressivas nos âmbitos político, econômico e social.

As transformações que levariam ao processo de Independência do Brasil ganharam novo impulso com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, período no qual as tropas francesas, comandadas por Napoleão Bonaparte, invadiram Portugal. D. João VI, rei português, fugiu do país e se instalou no Rio de Janeiro.

Durante uma viagem política, no dia 7 de setembro de 1822, ao se aproximar do Ipiranga, localizado no estado de São Paulo, e receber uma carta escrita pelo ministro José Bonifácio e pela princesa Leopoldina, o grito de Independência foi dado por D. Pedro, e o país foi declarado emancipado de Portugal, transformando-se em uma monarquia.

A “história mal contada” da Independência

A “história mal contada” da Independência do Brasil destaca como a narrativa oficial do “Grito do Ipiranga” simplifica um processo complexo, excluindo a participação de grupos marginalizados, como negros e indígenas, perpetuando uma visão eurocêntrica e ignorando a violência e o protagonismo feminino.

Diga-se de passagem: Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa tiveram papel central nas lutas, mas seus nomes e suas ações são frequentemente apagados dos livros de História, que se concentram na perspectiva eurocêntrica.

A perspectiva eurocêntrica, ou eurocentrismo, é uma visão de mundo que coloca a Europa como centro e referência para o desenvolvimento, o progresso e a racionalidade, vendo a cultura, a história e os valores europeus como superiores e universais, enquanto desvaloriza ou ignora outras culturas e civilizações não ocidentais.

Manifesta-se na educação, na cartografia e na forma como a História é contada, perpetuando preconceitos e visões coloniais que foram impostas por meio da exploração e da dominação de outros povos.

O evento foi muito mais um processo, com diversas batalhas e figuras importantes, do que um momento isolado protagonizado por um único herói. O Brasil independente manteve a escravidão e privou grande parte da população de direitos.

Segundo o escritor e jornalista Laurentino Gomes, registros da História do Brasil mostram que D. Pedro estava montado em um animal de carga, provavelmente uma mula — “besta baia gadeada” —, e não em um cavalo. Além disso, ele sofria terríveis dores intestinais no dia da Independência.

Na época, quem o acompanhava eram fazendeiros e pessoas comuns do Vale do Paraíba, em São Paulo. Isso porque os Dragões da Independência, que aparecem na tela Independência ou Morte, de Pedro Américo, pintada em 1888, não existiam naquela época.

Vejam aí! O marketing retroagindo no tempo.

D. Pedro foi deixado no Brasil como príncipe regente. Em quadros e livros de História, costuma ser retratado como um herói, um libertador às margens do Rio Ipiranga.

A mitologia construída em torno do processo de Independência foi importante para legitimar a identidade nacional brasileira. Ao longo do século XIX, principalmente, havia a preocupação de elevar o Brasil em comparação às repúblicas vizinhas.

O famoso quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo em 1888, é uma representação altamente idealizada e heroica, encomendada no final do Império. A obra serviu como uma ferramenta de legitimação política em meio à crise da monarquia.

A tela foi concebida para criar um mito unificador e glorioso, distanciando-se bastante dos fatos reais ocorridos em 1822.

E a História se repete…

Esses relatos são plausíveis em qualquer época, situação geográfica ou contexto sociológico, visto que estamos praticamente às portas de eleições majoritárias e legislativas.

Em um futuro, muitos desses que pedem o seu voto vão querer, quem sabe, entrar para a “História” do nosso país como aqueles que chamo de “Pseudos-Heróis”, quando, na maioria das vezes, não passam de verdadeiros “paladinos da moralidade”.

Existem, claro, muitas outras incoerências que nos são contadas nas “Histórias do Brasil” e do mundo como um todo. Com certeza, serão objetos de outras análises, crônicas e artigos.

Afinal, como sempre lhes digo, na maioria das vezes — ou, talvez, em sua totalidade —, quem faz a  “istoria” é quem vence a guerra.

Artigos, crônicas e livros são iguais a uma boa música: quanto mais envelhecem, mais se eternizam, perpetuam-se.

Acredite.

João Bosco — Boskinho Brazil 

Articulista, Analista político, Matemático, compositor, Mestre...

Na verdade, o marketing e as fake news já convivem com a sociedade há muito tempo.

*Em breve publicações nos periódicos : The New York times e EL ėspanhol.

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