Audiência pede mais apoio ao esporte com inclusão social‏

Mais investimentos e apoio para as entidades que promovem inclusão social através do esporte foi a principal tese defendida na audiência pública realizada pela Comissão de Desporto, Paradesporto e Lazer da Assembleia Legislativa. O encontro aconteceu nesta terça (31) e contou com a participação da Sudesb, Diretoria de Esporte de Salvador, Federação Bahiana de Futebol (FBF) e organizações sociais que realizam projetos sociais na capital.

Na abertura, o presidente do colegiado, deputado estadual Bobô (PCdoB), destacou que as Olimpíadas deixaram lições importantes. “Muitos atletas medalhistas são oriundos de projetos sociais e possuem histórias de vida de superação e abnegação pelo esporte, chegando ao ponto mais alto das carreiras. Nos representaram bem porque receberam apoio dos programas sociais. Vamos seguir lutando por mais recursos no Orçamento e pela criação de uma secretaria do Esporte, não só para produzir campeões, mas para gerar bons cidadãos”, afirmou o parlamentar, lembrando que já fez o projeto de indicação ao governo estadual.

O diretor de Esporte de Salvador, Edmilson “Pombinho”, também disse que após as conquistas olímpicas, o poder público terá outro olhar para o esporte. “Temos grande potencial e muitos desafios. No município já reformamos 200 campos e quadras esportivas. Realizamos parceira com a FBF e os clubes sociais, além de tocarmos projetos em bairros como Gal Costa, Ondina, Lobato, Candeal e Boca do Rio. Citamos ainda projetos como Atleta do Futuro, com 1.000 crianças, e o Super Sacada, com a distribuição de redes e bolas de vôlei”, pontuou.

Professor Álvaro Oliveira, da Sudesb, ressaltou que a composição da mesa e da plateia confirma a força do esporte como ferramenta de inclusão social e produção de talentos. “Bobô na Superintendência inciou vários projetos sociais esportivos que são sucesso hoje. Os frutos mostram o dinheiro público bem aplicado, com vários alunos se tornando profissionais. Em parceria com o Pacto Pela Vida, já foram investido esse ano R$ 10,5 milhões, beneficiando 20 mil pessoas, entre crianças, jovens e adultos de bairros periféricos. São ações realizadas com a PM, associações de moradores e organizações sociais”, enfatizou.

Representando a FBF, Manfredo Lessa listou o trabalho da federação, como o Intermunicipal de Futebol e a Copa Governador do Estado, onde as equipes devem ter obrigatoriamente maioria de jogadores até 23 anos de idade. “É para incentivar a inserção dos jovens no futebol. Temos parceira com o Tribunal de Justiça, com a formação de presos em arbitragem, e com a Sudesb em competições, além de apoiar campanhas sociais”, afirmou.

VOZES DA INCLUSÃO

O primeiro a falar pelas entidades sociais foi Uelton Alves, da Associação Unidos de Periperi e medalhista de prata no boxe, no Pan Americano de Guadalajara (México). “O trabalho da Sudesb é bom, mas faltam espaços para realizarmos projetos. Tive nas drogas e foi pelo boxe que sai delas, me tornando atleta da seleção olímpica”, declarou.

Falando pelo projeto Elisna, do Nordeste de Amaralina, o professor Ronaldo destacou que trabalha com 1.200 pessoas, em sete modalidades esportivas. “Entrei como estagiário de Educação Física e vejo o sucesso do projeto na sua vinculação com a educação. É preciso usar mais as escolas públicas para fazer mais ações com nossa juventude”, defendeu, elogiando o Pacto Pela Vida e a Polícia Militar.

A campeã de Bicicross Paola Reis e Dernivan Nunes, da Associação de Bicicross de Salvador, pediram apoio para o Projeto Pedal. “Está parado e muitas crianças deixaram de praticar esporte. Eu surgi nesse programa e tenho conquistado vários títulos”, disse Paola.

O representante da Liga Nordeste de Basquete, Ives Costa, afirmou que tudo depende de políticas públicas e foco na formação cidadã. “As escolas são importantes nesse aspecto. Precisamos retomar os Jogos Escolares. Não podemos ver o Ceará realizar uma competição envolvendo 85 mil alunos. O governo precisa fazer chamadas públicas para entidades e clubes realizarem ações esportivas. Temos que ter um fundo financeiro para o Esporte”, apontou.

MAIS APOIO

Para José Sandes, da Unisport, é bom ver muita gente militando pelo esporte com inclusão social. “De um projeto em Simões Filho, de 2007, podemos ver hoje vários profissionais formados. É muito importante ajudarmos o deputado Bobô a aprovar dois projetos seus: Escola em Ação (para abrir as escolas para a comunidade nos finais de semana, com esporte e cultura) e o que propõe a criação da Secretaria de Desporto, Paradesporto e Lazer ao governo estadual.

A psicóloga Thaise Coutinho defendeu a interação da sua área com o esporte nas políticas públicas. “Assim, teremos uma visão mais ampla do ser humano e da cidadania. O esporte pode eliminar outras exigências que os governantes dão prioridade. É importante também pensar em políticas esportivas para as mulheres e capacitar as pessoas que fazem ações esportivas”, afirmou.

Falando pela Associação de Artes Marciais Camelot, Maria Rita ressaltou o trabalho da entidade na ajuda à crianças no Vale das Pedrinhas e Nordeste de Amaralina. “Muitos tiveram o pai assassinado ou foram abusadas sexualmente. O professor Lêdo usou sua casa para montar o espaço de dar aulas. Só precisamos de mais apoio”, frisou.

Noildo Macedo, da Federação Bahiana de Futsal, enfatizou sua tristeza pelo dia de hoje (em referência ao afastamento da presidenta Dilma) e a alegria de ver pessoas fazendo algo através do esporte. “Precisamos valorizar o trabalho da Sudesb e das entidades. Realizamos um bom trabalho no Garcia em parceria com o colégio Edgar Santos e, logo, teremos o Canal Cidadania (pela antena da TVE), que abrirá espaço para o esporte amador”, disse.

Trabalhando com 300 crianças em Itapuã, o representante do Centro Esportivo Biriba, Cristóvão Santos, pediu mais acesso das entidades aos projetos pensados pelos poderes públicos.

Encerrando o evento, o diretor geral da Sudesb, Elias Dourado, reforçou que o foco do órgão é o trabalho social e lembrou que a realização das olimpíadas é uma conquista dos governos de Lula e Dilma. “Os jogos nos deixam legados importantes. É essencial combinar abnegação e profissionalismo para realizar bons projetos, com as organizações precisando se regularizar para firmar convênios. Estamos fazendo muitas ações com o programa Pacto Pela Vida, para formar campeões no esporte e, acima de tudo, cidadãos”, declarou.

Ascom

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