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Jornada Pedagógica de Uauá pauta a Educação Contextualizada ao Semiárido

O município baiano de Uauá, visando priorizar a prática da educação contextualizada ao Semiárido, está realizando até amanhã, dia 22, Jornada Pedagógica com o tema “Educação com o pé no chão do Sertão”. O evento reúne educadores/as da rede municipal que se preparam para dar início ao ano letivo no próximo mês.

Esta discussão não é algo novo no município que, inclusive, já possui uma Proposta Político-Pedagógica baseada na proposta de Convivência com o Semiárido. Porém, a intenção da nova gestão do município é retomar as ações neste campo, as quais não vinham sendo priorizadas nos últimos anos. “Nossa proposta foi construída dez anos atrás, precisa ser reformulada, ser atualizada, ser colocada para a comunidade escolar para que ela se empondere desse elemento de gestão do município”, adianta Jussara Dantas, secretária de educação de Uauá. A psicopedagoda ressalta que a educação para Convivência com o Semiárido será prioridade na atual gestão municipal “porque entendemos que não podemos trabalhar a educação descontextualizada da realidade local”, reafirma.

Em consonância com a gestão municipal, a coordenadora pedagógica Manuela Rodrigues, que atua em escola na área urbana, concorda com a reformulação da proposta construída em 2007. Para ela, é preciso haver também mudanças no campo da infraestrutura, uma vez que as salas de aulas não permitem um bom desempenho tanto dos/das estudantes quanto dos/das professores. Manuela lembra que em outros momentos isso já foi colocado em pauta, porém as escolas que tem sido construídas continuam a adotar os padrões arquitetônicos de todo o país.

Contexto Cultural no processo educativo

No primeiro dia da Jornada, mesas de discussão abordaram temáticas presentes no dia a dia dos/das educadores/as que atuam em escolas da sede e interior do município. A fabricação da cultura e sua imposição como mercadoria foi o tom da fala de Josemar Martins (Pinzoh), professor da Uneb, destacando que as mudanças sociais existentes na sociedade precisam se fazer presente também dentro da escola. “Pra mim discutir educação contextualizada é discutir esse conjunto de problemas”, diz o professor, ressaltando que na sua opinião o modelo que se tem hoje de escola está ultrapassado. “A escola está caduca, tá em crise há muito tempo”, opina Pinzoh, referindo-se, inclusive, às estruturas físicas descontextualizadas.

Outro elemento posto em destaque na discussão foi a necessidade de repensar os processos formativos, considerando a participação efetiva da comunidade, a cultura local e saberes empíricos. Este argumento, posto na mesa por Tiago Pereira, Coordenador Institucional do Irpaa, endossou a defesa de que é preciso dar uma atenção maior para a educação nas comunidades rurais, uma vez que o índice de escolas sendo fechadas no campo é alarmante. Uauá foi o terceiro município do Território Sertão do São Francisco que mais fechou escolas nos últimos anos.

Tiago fez ainda referência ao potencial das comunidades tradicionais e disse que para haver mudanças precisas “a gente precisa 'beber' das experiências das comunidades tradicionais Fundo de Pasto pra tentar semear os laços de companheirismo, de solidariedade, dentro do ambiente da educação formal”. Ao provocar a gestão municipal acerca da necessidade de mudanças no currículo escolar, Tiago Pereira pontuou: “é preciso construir uma pedagogia da vida, que emancipe, que transforme e não forme apenas para o mercado”.

Para que essas mudanças ocorram, segundo Pinzoh, deve-se avançar a partir de três pilares: estrutural, conceitual e de conduta, com uma urgente necessidade disso ser experimentado na prática, o que dialoga com as contribuições de Átila Menezes, Professor da Univasf, quando diz que se deve buscar saídas, já que “vivemos numa sociedade esvaziada, a caminho da barbárie social”. Átila menciona a existência da sociedade do espetáculo, das imagens e dos simulacros que propõe ou impõe a cultura do consumo.

Ciente desses desafios, o professor José Aerton Moraes, que atua na comunidade de Carrancudo, fala da importância de formar a juventude para o uso educativo das tecnologias que hoje inegavelmente fazem parte do contexto cultural e influenciam a formação de crianças e jovens, seja da cidade ou do campo. “Não devemos nunca perder a nossa história, mas nós não podemos também ficar longe das tecnologias, do que é novo, temos sempre que nos qualificar”, pontua o professor.

Essas realidades são desafios constantes na vida dos/das educadores/as e que, no entendimento do atual prefeito de Uauá, Lindomar de Abreu, devem ser considerados na hora de pactuar uma nova ação dentro da gestão pública, sem perder de vista a realidade do Semiárido.

A programação da Jornada segue até esta quarta-feira, dia 22, com a mesas de discussões e oficinas pautadas em temáticas comuns ao ensino fundamental, buscando refletir uma prática pedagógica comprometida com o chão do sertão.

Ascom IRPA

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