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Comunidade de Casa Nova fortalece organização e melhora qualidade de vida a partir das ações de Ater‏

Os relatos de mudanças a partir do associativismo e da aplicação de fomentos assegurados por projetos de Assessoria Técnica e Extensão Rural – Ater são claros na fala dos/das moradores/as da comunidade de Palmeira, no município de Casa Nova (BA). Com a chegada das ações de Ater, muitas práticas foram aperfeiçoadas com o objetivo de proporcionar uma melhoria na qualidade de vida das cerca de 150 famílias que vivem basicamente da criação de animais de pequeno e médio porte como caprinos, ovinos e aves.

A Associação de Pequenos Produtores da comunidade de Palmeira e arredores foi criada em 2012, a partir do incentivo de um colaborador do Irpaa, como conta o primeiro presidente da Associação e atualmente vice, Adeilson da Silva Costa. “Nosso empenho foi importante também, mas sempre tem que ter o incentivo”, diz o criador, que é conhecido como Bilu. Ele conta que o associativismo tem contribuído para a chegada de políticas públicas na comunidade e insiste em registrar que o Irpaa tem tido papel fundamental nisto. Maria Aparecida, esposa de Bilu, relata: “Aqui era uma comunidade muito carente, carente em tudo. Nossa comunidade foi esquecida, nunca teve incentivo de nada, hoje em dia a gente já deu um passo à frente e através da associação a gente tá conseguindo andar”.

Além do fortalecimento da organização social, tanto as atividades que envolvem toda a comunidade, como reuniões, dias de campo, mutirões, etc quanto as visitas nas propriedades, tem contribuído para as famílias aperfeiçoarem algumas práticas no modo de produção, especialmente como foco na agropecuária e mais recentemente no beneficiamento da mandioca.

Em sua propriedade, Bilu mostra com satisfação que aprendeu bem uma das lições da seca e hoje armazena forragem para os animais se alimentarem quando a Caatinga já não fornecer alimento suficiente. A silagem, feita em mutirão, certamente substituirá o mandacaru que foi cortado para os animais na última seca. Além disso, o melhoramento do aprisco, o plantio da melancia forrageira, a aquisição de reprodutores para incrementar o rebanho foram investimentos que estão valendo à pena. “Eu sustento minha família através da caprinovinocultura”, afirma Bilu.

Além dos caprinos, a criação de galinha hoje tem ganhado espaço na comunidade, não apenas como uma atividade mais específica das mulheres mas de toda a família, avalia o colaborador do Irpaa que acompanha a comunidade, Edvaldo Rocha Braga. “A gente se sente muito otimista e sabe que tá levando a mensagem do projeto de Ater”, comemora. A organização social, associado ao uso sustentável do Fundo de Pasto e às práticas aperfeiçoadas a partir das orientações técnicas, segundo ele, “garantem o sustento da família e a garantia dessas famílias no interior e com vida digna”.

Criação de aves: alimento saudável e renda para as famílias

Assim como em muitas comunidades do sertão baiano, também em Palmeira, a criação e galinhas sempre foi uma tradição. Porém, devido ao forte investimento do mercado de aves de granjas, vendidas congeladas e sob altos efeitos de hormônios, a galinha de capoeira, o pato, peru, codorna, guiné passaram a desaparecer dos quintais, terreiros e roças das comunidades. Mas hoje, quem chegar a casa de D. Santina Barbosa da Silva Costa vai encontrar muitas dessas aves, inclusive podendo comprá-las para abate e até mesmo para criar.

A partir do Projeto de Ater, executado pelo Irpaa, dentro do Plano Brasil Sem Miséria, do Governo Federal, muitas famílias retomaram esta prática em Casa Nova. Em Palmeira, os modelos de galinheiros construídos com recursos do fomento garantido pelo projeto, chamam atenção e proporcionam um modelo de criação que integra o sistema de confinamento e áreas de pastagem. A família de Seu Victor Moreira e Dona Antônia Alves Mano estão encontrando na criação de galinhas um importante complemento para a renda. Seu Victor já vendeu a primeira remessa adulta e já adquiriu mais pintos. Além da comercialização, as famílias tem garantida na mesa carne e ovo, importantes misturas na refeição das famílias sertanejas.

Dona Santina, há cerca de três anos passou a investir, além de galinhas, na criação de peru, pato e codorna. Ao custo médio de R$ 25, ela vende cerca de oito galinhas por mês, muitas vezes já tratada, pronta pra ser cozinhada. Os ovos também tem bastante saída e nem precisa ir até a feira da cidade para vender os produtos, o comércio acontece na própria comunidade. O lucro é bom porque os gastos são poucos, já que a base da alimentação são pastos e cultivos ao lado da casa e até os remédios são naturais. O esterco do galinheiro também é aproveitado como adubo no cultivo da pastagem.

Outra prática a que ela vem se dedicando é a venda de pintos de raça nativas, chamados nas comunidades de “pé duro”. Dona Santina “deita” as galinhas e também peruas pra dá origem a filhotes de raça tradicional e vender para vizinhança e assim multiplicar na região a raça nativa que já vinha aos poucos sendo extinta. “Se todo mundo fizesse como eu nunca faltava galinha no interior”, diz a criadora e beneficiária do Ater. Ela argumenta que a raça tradicional é adaptada por isso compensa mais investir nelas: “eu queria das galinhas daqui porque é mais fácil pra criar, é mais sadia... e é mais gostosa a galinha de capoeira”, reafirma.

Texto e fotos: Comunicação Irpaa

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